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Foto de mulher segurando o telefone celular e um homem por Anne Stuart, janeiro de 2006
 

Descrição Geral


  1. » Computação baseada em telefonia móvel
  2. » Acesso instantâneo a conteúdo
  3. » Aplicações comerciais
  4. » Testes com a BBC
  5. » Outras experiências
  6. » Extensão da Web
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Certo, é possível utilizar o telefone celular para acessar informações na Web quando em trânsito. Porém, quem deseja digitar um endereço URL no teclado do aparelho ou navegar por páginas de menus para encontrar o conteúdo de que precisam?

Os cientistas do HP Labs em Bristol, Inglaterra, querem tornar a recuperação de informações tão fácil quanto tirar fotografias ou fazer discagem rápida para os amigos. A idéia é oferecer conteúdo relacionado ao ambiente imediato, esteja o usuário navegando pela loja favorita, fazendo uma viagem guiada a algum local histórico ou ficando em frente a um cartaz com a propaganda do espetáculo ao qual gostaria de assistir.

Para tornar isso possível, os pesquisadores equiparam telefones dotados de câmeras com a tecnologia de leitura de código de barras para proporcionar acesso com um único toque a informações e serviços quando em trânsito. Até o momento, houve vários testes dessa tecnologia com a BBC e o jornal inglês The Times, entre outras entidades. A equipe conquistou um importante prêmio de TV pelo projeto da BBC.

Computação baseada em telefonia móvel

Tim Kindburg discute as vantagens dos telefones com leitura de código de barras.

O projeto nasceu de uma experiência anterior do HP Labs denominada Cooltown, na qual os cientistas desenvolveram sistemas que permitiam aos usuários de dispositivos de mão sem fio, como HP iPAQs, obter rapidamente conteúdo da Web pertinentes às respectivas localizações no momento.

“Mais recentemente, ficou claro que os telefones com câmera também eram capazes de ler código de barras”, diz Kindberg. E, como esses telefones estão rapidamente se tornando populares, esses aparelhos fazem mais sentido para a computação onipresente, ou seja, computação em qualquer local onde se esteja.

Na verdade, a computação baseada em telefonia celular já está em uso no Japão, onde mensagens em código de barra surgiram subitamente em anúncios de revistas e jornais e em cartazes ao ar livre. De acordo com uma pesquisa, os leitores de códigos de barras são o terceiro recurso mais solicitado por usuários japoneses de telefones celulares, ficando atrás em popularidade somente das câmeras de alta resolução e dos recursos musicais.

A equipe de Bristol da HP desenvolveu um software que tem como componente principal a tecnologia de processamento de imagens Gavitec AG e que possibilita aos telefones com câmera ler os códigos e recuperar conteúdos. Os pesquisadores também desenvolveram o software para que os fornecedores de conteúdo possam criar e gerenciar os códigos de barras. (No momento, o software está disponível somente na União Européia.)

Acesso instantâneo a conteúdo

Do ponto de vista do usuário, a tecnologia não poderia ser mais fácil. Quando os usuários apontam o telefone com câmera para um símbolo visual, ou seja, o código de barras, o software mostra imediatamente que reconheceu o código exibindo um texto instantâneo relativo ao assunto ao qual o código se refere. Se o usuário ativar o código, o software coletará o conteúdo da Web ou enviará uma mensagem de texto (SMS) para solicitar o conteúdo. Dessa forma, a tecnologia tira vantagem integral da infra-estrutura de comércio móvel existente.

“Não há navegação por menus e nem digitação em teclados”, afirma Kindberg. “Você vai direto ao conteúdo desejado”.

O ponto mais forte dessa tecnologia é proporcionar esse tipo de acesso rápido, fácil e direto.

“É possível obter o conteúdo enquanto ainda se vive a situação”, diz ainda Kindberg. Por exemplo, enquanto você estiver lendo o jornal da manhã no transporte público ou à mesa do café, será possível obter instantaneamente mais detalhes sobre um anúncio ou uma estória em especial usando o telefone para ler o código de barras integrado ao texto. Não haverá necessidade de aguardar até chegar ao trabalho nem de acessar o computador doméstico.

Aplicações comerciais

Ao mesmo tempo, os fornecedores de conteúdo poderão colocar códigos de barras de forma estratégica, oferecendo informações em tempo hábil ao público-alvo adequado. “Um dos principais benefícios é capturar os impulsos imediatos das pessoas", observa Kindberg.

A tecnologia também possibilitará às empresas oferecerem conteúdo personalizado e específico para cada local. Por exemplo, um dado estúdio de gravação poderá imprimir e distribuir milhares de cartazes com a propaganda do novo CD de uma banda popular.

Cada cartaz individual poderá conter um código de barras exclusivo com conexão a conteúdo também exclusivo. Por exemplo, um cartaz no ponto de ônibus poderá direcionar o usuário a uma mensagem indicando que se houver interesse na compra imediata do álbum, o mesmo está disponível na loja Ralph’s Records localizada nos arredores.

Testes com a BBC

Em um teste intensivo da tecnologia, os cientistas trabalharam com a BBC para aumentar a audiência da série de TV “Coast”, explorando os litorais de Inglaterra , Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Os produtores planejaram alguns passeios auto-guiados à beira-mar em locais apresentados na série. Em cerca de 100 pontos nessas rotas, os usuários de telefones com câmera puderam fazer o download de conteúdo da BBC explicando a importância do local onde estavam e direcionando-os à próxima parada do passeio.

Em outro teste, o jornal inglês The Times ofereceu um computador de mesa HP como prêmio numa competição em que os participantes precisavam coletar três bilhetes virtuais impressos no jornal, no final de agosto de 2005. Os competidores podiam digitar manualmente os números dos bilhetes ou simplesmente ler os códigos de barras com os telefones celulares. Esse último processo, obviamente, era o menos trabalhoso.

Outras experiências

A empresa Hope Recordings, de Bristol, testou a tecnologia colocando códigos de barras em uma nova retrospectiva com dois CDs, 7 Year Itch, que possibilitava aos fãs acessarem videoclipes dos músicos. O centro de artes digitais Watershed, em Bristol, utilizou a tecnologia para promover um festival de filmes de animação.

Os cientistas que observaram e entrevistaram usuários durante os testes dizem ter descoberto que os códigos diminuem as barreiras de comprometimento dos usuários, em comparação aos métodos convencionais de acesso a serviços telefônicos. Em especial, o teste com o programa “Coast” da BBC, mostrou também que códigos bem posicionados levaram a situações nas quais a estreita relação entre o conteúdo e a situação física pareciam especiais para os usuários.

Num futuro não muito distante, os cientistas acreditam que as pessoas irão utilizar a tecnologia para fazer download de músicas e amostras de vídeos, comprar ingressos para eventos, divertir-se com jogos, chamar táxis, obter descontos instantâneos dentro de lojas e muito mais.

Extensão da Web

Isso não quer dizer que os cientistas não terão desafios pela frente. Isso porque “não se pode colocar códigos de barras em todos os lugares desejados”, observa Kindberg. As normas de saúde e segurança às vezes exigem que os códigos de barras sejam colocados em posição mais alta do que as pessoas veriam com facilidade ou alcançariam com seus telefones. As leis de preservação freqüentemente proíbem a colocação de sinalização em construções históricas e outros marcos de provável inclusão em passeios auto-guiados.

Além disso, as limitações do sistema óptico dos telefones com câmera fora do Japão significam que os códigos de barras devem ser impressos em formatos grandes que algumas empresas poderão considerar ser de difícil incorporação a projetos gráficos. (Os telefones com câmera japoneses possuem recursos de macro, de forma que os códigos são muito menores e, portanto, mais fáceis de serem integrados a trabalhos de arte.) Ainda, os telefones com câmera não conseguirão ler os códigos de barras se estiverem muito distantes ou no ângulo incorreto em relação ao ponto de leitura. Finalmente, a tecnologia funciona atualmente apenas em alguns poucos telefones avançados da Nokia e da Siemens.

No entanto, Kindberg prevê que os telefones irão tornar-se rapidamente mais sofisticados, mais flexíveis e mais largamente disponíveis ao longo de 2006.

Enquanto isso, a tecnologia continuará a se desenvolver: “Nós vislumbramos que essa tecnologia será tão extensível quanto a Web”, afirma ele. Em outras palavras, não há como prever o que o seu telefone celular será capaz de fazer.
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